grupos farmacológicos:

fórmula molecular:

C22H38O5

princípio ativo:

Prostaglandinas E e F

Quais são os Nomes Comerciais e Apresentações do Misoprostol?

Cytotec, Prostokos, Gymiso, Misodel.

Qual é a Farmacocinética do Misoprostol?

A farmacocinética do misoprostol é caracterizada por uma rápida absorção pelo trato gastrointestinal, sendo que a concentração plasmática máxima é alcançada em cerca de 30 a 60 minutos após a administração oral. O misoprostol sofre metabolização hepática para formar metabólitos inativos, que são excretados principalmente na urina. A meia-vida de eliminação é de cerca de 20 a 40 minutos, sendo que a duração dos efeitos do medicamento é influenciada pela dose e pela via de administração. Quando administrado por via vaginal, o misoprostol é absorvido mais rapidamente e tem uma duração de ação mais prolongada do que quando administrado por via oral.

Qual é o Mecanismo de Ação (Farmacodinâmica) do Misoprostol?

A farmacodinâmica do misoprostol está relacionada à sua ação como um análogo sintético da prostaglandina E1. O misoprostol se liga aos receptores de prostaglandina E1 nas células do miométrio, desencadeando a contração do músculo uterino. Além disso, o misoprostol também promove o amadurecimento cervical, que é importante no preparo do colo do útero para o parto.

Outras ações farmacodinâmicas do misoprostol incluem a redução da secreção gástrica, aumento da secreção de bicarbonato e muco, bem como a proteção da mucosa gástrica contra lesões. Por essa razão, o misoprostol também é indicado para prevenção de úlceras gástricas induzidas por anti-inflamatórios não esteroides.

Para que Misoprostol é Indicado?

  • Amadurecimento cervical: O misoprostol pode ser utilizado para promover o amadurecimento cervical em pacientes com colo do útero desfavorável, preparando o colo do útero para o trabalho de parto.
  • Indução do trabalho de parto: O misoprostol pode ser utilizado para induzir o trabalho de parto em pacientes com indicação médica para interrupção da gestação, como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, ruptura prematura de membranas ou feto em sofrimento.
  • Tratamento da retenção placentária: O misoprostol pode ser utilizado como uma alternativa ao curetagem uterina para o tratamento da retenção placentária, que ocorre quando a placenta não é expelida após o parto.
  • Tratamento da hemorragia pós-parto: O misoprostol pode ser utilizado como parte do protocolo de manejo da hemorragia pós-parto, ajudando a controlar a hemorragia e prevenir a necessidade de procedimentos invasivos, como curetagem uterina ou histerectomia.

Qual é a Posologia do Misoprostol?

  • Amadurecimento cervical: A dose recomendada de misoprostol para o amadurecimento cervical é de 25 mcg a cada 4 ou 6 horas, por via vaginal, até um máximo de 8 doses. A dose máxima diária é de 200 mcg.
  • Indução do trabalho de parto: A dose recomendada de misoprostol para a indução do trabalho de parto varia de acordo com o protocolo institucional e as características da paciente. A dose pode ser iniciada com 25 mcg a cada 4 ou 6 horas, por via vaginal, e aumentada gradualmente de acordo com a resposta uterina. A dose máxima diária é de 200 mcg.
  • Tratamento da retenção placentária: A dose recomendada de misoprostol para o tratamento da retenção placentária é de 600 mcg por via vaginal ou sublingual. O medicamento pode ser repetido a cada 3 a 12 horas, se necessário.
  • Tratamento da hemorragia pós-parto: A dose recomendada de misoprostol para o tratamento da hemorragia pós-parto é de 800 mcg por via sublingual ou retal, seguida de uma segunda dose após 30 minutos, se necessário. A dose máxima diária é de 2400 mcg.

Quais são os Efeitos Colaterais do Misoprostol?

  • Cólicas abdominais: O misoprostol pode causar cólicas uterinas e abdominais em algumas pacientes, que podem variar de intensidade e duração.
  • Diarreia: O misoprostol pode causar diarreia em algumas pacientes, que geralmente é autolimitada e não requer tratamento.
  • Náuseas e vômitos: O misoprostol pode causar náuseas e vômitos em algumas pacientes, especialmente quando administrado por via oral.
  • Febre: O uso de misoprostol pode causar febre em algumas pacientes, que geralmente é autolimitada e não requer tratamento.
  • Hiperestimulação uterina: Em alguns casos, o uso de misoprostol pode levar a uma hiperestimulação uterina, caracterizada por contrações uterinas excessivas e prolongadas. Essa complicação pode levar a uma redução da perfusão sanguínea para o feto e, em casos graves, pode ser necessária a interrupção do uso do medicamento e a realização de um parto emergencial.
  • Ruptura uterina: Embora rara, a ruptura uterina pode ocorrer como uma complicação do uso de misoprostol em pacientes com cicatrizes uterinas prévias, como em mulheres com histórico de cesariana.

Quais são os Cuidados de Enfermagem para Pacientes sob uso de Misoprostol?

Monitorar a frequência cardíaca fetal: O uso de misoprostol pode afetar a frequência cardíaca fetal, sendo necessário realizar a monitorização constante da frequência cardíaca fetal para avaliar se o feto está tolerando as contrações uterinas.

Avaliar a intensidade e duração das contrações uterinas: A intensidade e duração das contrações uterinas devem ser avaliadas regularmente, devido aos riscos de hiperestimulação uterina e ruptura uterina.

Verificar a pressão arterial materna: O uso de misoprostol pode causar elevação da pressão arterial materna, sendo necessário monitorar regularmente a pressão arterial da paciente.

Avaliar o tônus uterino: O misoprostol pode afetar o tônus uterino, e a avaliação do tônus uterino é importante para garantir que o útero esteja se contraindo adequadamente.

Verificar a dilatação cervical: O misoprostol é frequentemente usado para o amadurecimento cervical e a indução do trabalho de parto, sendo importante verificar regularmente o grau de dilatação cervical para avaliar o progresso do trabalho de parto.

Observar sinais de hipersensibilidade: O misoprostol pode causar reações alérgicas, sendo necessário observar atentamente a paciente quanto a sinais de hipersensibilidade, como urticária, prurido, dificuldade respiratória, entre outros.

Monitorar a temperatura materna: O uso de misoprostol pode causar febre em algumas pacientes, sendo necessário monitorar regularmente a temperatura corporal materna.

Verificar os sinais vitais da paciente: É importante monitorar os sinais vitais da paciente, como frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura, para avaliar o seu estado clínico e identificar precocemente qualquer sinal de complicações.

Orientar a paciente quanto aos efeitos colaterais do misoprostol: É importante orientar a paciente sobre os possíveis efeitos colaterais do misoprostol, como diarreia, cólicas abdominais e náusea, para que ela possa estar preparada e buscar ajuda em caso de necessidade.

Preparar a equipe para possíveis complicações: O uso de misoprostol em obstetrícia pode estar associado a complicações graves, como hiperestimulação uterina, ruptura uterina e hemorragia. Nesse sentido, é importante que a equipe de enfermagem esteja preparada e treinada para identificar e agir precocemente em caso de complicações.

Referências

BRASIL. ANVISA. . Bulário Eletrônico. 2016. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/. Acesso em: 02 mai. 2022.

BARROS, Elvino. Medicamentos de A a Z: 2016-2018. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

CAETANO, Norival. BPR – Guia de Remédios 2016/17. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_profissionais_saude.pdf. Acesso em: 22 fev. 2023.

Santana, D. S., Andrade, S. S., & Silva, L. R. (2020). Misoprostol na obstetrícia: uma revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 12(3), e1264. Disponível em: https://www.acervosaude.com.br/revista/edicao/384/4.pdf. Acesso em: 22 fev. 2023.

Sociedade Brasileira de Pediatria. (2018). Manual de Orientação: Recém-Nascido e Cuidados Perinatais. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2018/09/Manual_de_Orientacao_Recem-Nascido_e_Cuidados_Perinatais_3a_edicao_2018.pdf. Acesso em: 22 fev. 2023.

escrito por:

Gabriel Fellipe Félix Lima

Gabriel Fellipe Félix Lima

Graduando em Enfermagem pela PUC Goiás, Designer Gráfico, Programador e Apaixonado por Tecnologia!